sexta-feira, setembro 09, 2005

JÂNIO TEVE MAIS DIGNIDADE

Muito mais dignidade teve o professor Jânio Quadros, em 1961, ao renunciar ao presidente da República quando percebeu que não contava com mais com o clamor popular para governar o país e promover as medidas necessárias para que o país saísse do atoleiro em que se encontrava. “Forças ocultas me impedem de governar o Brasil”, foi a justificativa que Jânio encontrou para afirmar que estas ‘forças ocultas’, mais acertadamente seria o Congresso Nacional, com seus deputados e senadores. A mesma instituição que manda e desmanda nas ordens deste país, pois é nela que estão concentradas as classes beneficiadas.

Bem, no caso de Lula, a responsabilidade pela falha de governabilidade do país é única e exclusivamente dele. Pois durante quinze anos, ele e seus lacaios ficaram convencendo a sociedade brasileira de que suas propostas seriam as melhores. Após quatro tentativas, Lula venceu a eleição mais fácil da história do país e passou a ser o primeiro operário a governar os brasileiros. Todos que voltaram nele, principalmente os pobres, oprimidos e excluídos, despejaram suas esperanças de que um ex-retirante nordestino fosse o salvador. E Lula, sem se fazer de garbo, aceitou esta pecha e foi mais adiante, exibindo-se como o defensor da paz e das ansiedades dos povos latinos americanos e até do continente africano. Almejou com isso o Prêmio da Nobel da Paz, tentando seguir, em vão, Nelson Mandella.

Um bom governante se mede pela atitude que deve tomar antes dos primeiros problemas de sua administração. Quando se deparou com a questão dos transgênicos, Lula não tomou a posição que deveria ter, ou seja, acompanhar a lei. Preferiu se esquivar dela e atender aos anseios dos grandes produtores de soja, principalmente do Rio Grande do Sul, estado pelo qual foi o mais beneficiado em termos de representação em seu governo.

Eu, particularmente, apesar de sido participante da fundação do PT em minha cidade, jamais fui lulista, sendo mais da linha de Jacob Bittar. Ou seja, mais trotskista. Radical sim, mas liberal para conversar com qualquer seguimento, desde que os princípios que me conduziam não fossem contaminados pelos setores direitistas deste país. Tenho pagado um preço alto por esta integridade, mas pelo menos tenho a consciência limpa de que jamais crescerei sob dinheiro sujo.

Conheci Lula em situação bem adversa da hoje. Lembro-me como se fosse. Foi em Mongaguá e numa situação inusitada. Enquanto ele residia, com certo conforto em São Bernardo, sua mãe e irmãos padeciam em favela, às margens da rodovia Padre Manoel da Nóbrega. Avisados com antecedência, eu e mais o pessoal do jornal Mongaguá Notícias ficamos sabendo que Lula viria visitar sua mãe, de madruga. Ficamos de tocaia e eis que surge um carro preto, estilo Opala Comodoro, e dele sai Lula. Ele ficou surpreso com o espocar de flashs da máquina fotográfica. Como explicação, ele disse que agia daquela maneira por causa da ditadura militar.

Ao ver aquela cena, passei a desacreditar inteiramente nele, mais ainda da impressão que já possuía. Daí em diante, acompanhei cada passo dele e do partido. As decepções passaram a ser muitas, principalmente com as ascensão do playboy Eduardo Matarazzo Suplicy e de Marta, penetra da Globo no partido. Me afastei ideologicamente do PT, apesar de jamais, assim como minha esposa, se desfiliar.

Quando disse, após a sucessão de escândalos em seu governo, que não havia no país alguém para falar de moral mais do que ele, percebi que Lula, além de ator fajuto, era também mentiroso. Pois quem conviver com ele, sabe que jamais ele foi ético nem mesmo consigo. Lembra-se do caso do filho fora do casamento que ele escondeu e que Collor denunciou? Se tivesse tido um pouco de ética, realmente ele teria assumido este filho. Mas não preferiu a omissão.

Como ele pode falar de ética, se pronunciou discurso, se não me falha a memória em seu primeiro ano de governo, ao afirmar que jamais foi socialista e que seu governo não seguiria esta linha.

Agora, desolado, sem partido, sem amigos, sem apoio popular e perambulando pelos corredores do Palácio, resta a ele a dignidade de que chegou ao fim da linha e renunciar. Além de responder na Justiça pelas atrocidades que cometeu com o dinheiro público. Dinheiro este que deveria estar matando a fome de milhões de oprimidos e excluídos, os quais, um dia, acreditaram que Lula seria o papai-noel da vez no Brasil.

Temos que recomeçar tudo de novo. E acreditar em quem?

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